quinta-feira, 24 de março de 2011

O Vento Sopra Estrelas Perdidas


Enchi o meu espaço de mil figuras. A estante pulverizado por caricaturas estrangeiras. Um espírito negro me despertou, o encanto do meu sonho se evapora, o trajeto que tracei pelo mundo que agora pode chorar sua agonia.

Enchi minhas caixas de verdades com mentiras, fiz a vida, a minha doce vida embalar-se estremecendo. Quantas vezes? (me perguntei) acendi-me de fogos vagabundos, meus olhos turvos se fecharam facilmente. Meus tristes lábios espremem silêncio.

Enchi a minha alma com uma pessoa. Entre nuvens azuis declarei-me à ela. É um retrato? Talvez... (gritei!) Cabelos perfumados e soltos, como a flor das ondas de um rio que se perde na floresta, era raro, era um sonho, talvez a minha visão, que foi-se.

Enchi meus pensamentos de ilusões, que jamais verão iluminar meu peito, momentos que passei, e não valem em vida. Nos lábios dela suspirei tremendo! (você é o que resta agora) As páginas junto à ela, delírios de uma noite nunca recuperada.

Enchi o meu céu com cores reluzentes, escrevi um nome suave, me deitei à observá-lo, embaldei as minhas lágrimas, más abri os olhos. Estrela morta! (encontrei) O caos impuro ao redor nota, num dia se vê água, numa noite se vê chuva, nas nuvens cor de cinza do horizonte, e nada, nada mais é real. Apenas uma sala, repleta de figuras desconhecidas, mentiras vestidas com encantamentos, meras caricaturas estrangeiras.

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