quarta-feira, 11 de abril de 2012

Deixando De Segui - lo




Não se aproxime de mim como se tudo pudesse fazer sentido outra vez, nem tente me dizer as palavras certas porque alguém disse que você agiu errado. Talvez eu não seja a pessoa ideal para descrever situações ruins com o coração, ou como perder algo criado de dentro dele. Mais acho que posso tentar descrever como é perder você.
Lembrar. Tente se lembrar, ou simplesmente inclua essa palavra ao vocabulário que decifra a perda pra você. Começa por aqui, apesar de ser o pior caminho [...] Onde você para no meio da rua, no meio da noite, de todo aquele caos e as conversas, o trabalho e se estabiliza entre você e o seu centro e sente. Sente cada um de seus músculos se contraindo sucessivamente aquele pequeno corredor entre as cordas vocais secando como um rio que perde o seu teor como se não pudesse falar e houvesse tanto à dizer.
Os lábios se cravam com os dentes como se quisessem sangrar, cada olho grunhindo por dentro como se tentasse explodir mais não havia pólvora. Então começa. Cada flash, cada aperto de mão, cada passo ao lado, cada Oi entrando e saindo da sua mente em míseros milésimos de segundos em que o peito se comprime e num instante não está lá.  Ele esta vazio. Não existe nada em seu caderno de projeções futuras porque o seu futuro era outro ser. Pensar que tudo o que havia juntado, todo aquele montante de sonhos, de vontades, de realizações, os pedacinhos de carinho que vinha recolhendo ao longo de nossa história eu haverá de perder a maior aposta da minha vida por colar cada traço dela em um único ser, tendo apenas que recolher recortes velhos ao chão de uma história perdida.
Mais a primeira noite nem se atrevera a ser a pior. As piores ainda estavam por vir. Cada beijo, cada choque de contato.
Cada dedo, cada membro, cada órgão, cada palavra, tudo em que eu vivia naquele instante morto, consumido de cansaço sem dor. E aquele nem era o primeiro dia, semanas se cruzaram em um mês e você sem conseguir se achar mesmo que à sola da tristeza dos outros.
Toda uma confusão crescendo ao redor, a dentro e a fora de um deserto ínfome. Uma coisa quase que indescritível, invasiva, contínua e sem [...] A dor.
Então saber nem é mesmo o ponto fraco de submergir, conviver! Por que mesmo que haja a perda você à ganha como companheira de todas as madrugadas.
Noites se passam e tudo ainda tentando encontrar um lugar para encaixar dentro do mesmo. A linha do tempo. Onde o simples pensamento dele como se fosse o mundo, o tudo se matando com a fome do prazer de algo que virou passado mais continuamente carregamos pro futuro como se a qualquer momento aquela porta fosse se abrir novamente, quando na verdade você nunca conseguiu fecha – lá. Uma pequena sorte. Um bônus que se leva quando se perde; “Você sempre estará perdendo” . Como pedras que caem de um penhasco sem fim, porque lembrar... O faz perde – lo mais uma vez
, mesmo não possuindo mais.

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